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Países com mais endereços IP em 2026

Os EUA detêm 44% de todos os endereços IPv4. Veja os 10 países com mais IPs em 2026, endereços por habitante, líderes em IPv6 e os maiores blocos.

Publicado6 de junho de 2023
Atualizado20 de outubro de 2026
Tempo de leitura11 min

Os Estados Unidos têm, de longe, a maior quantidade de endereços IP: cerca de 1,61 bilhão de endereços IPv4, ou 44% de tudo o que já foi distribuído no mundo. A China vem em um distante segundo lugar, com 343 milhões, seguida por Japão, Reino Unido e Alemanha. Juntos, os 10 primeiros concentram três de cada quatro endereços IPv4 registrados.

Esses números vêm da nossa própria contagem, feita em 20 de outubro de 2026 a partir dos arquivos diários dos cinco registros regionais de internet. Somamos cada bloco IPv4 listado como alocado ou atribuído, de acordo com o país em que está registrado, e repetimos a contagem para o IPv6. A seguir você encontra o top 10 completo, o ranking por habitante, quem lidera no IPv6, quais organizações têm os maiores blocos e por que outros sites mostram números diferentes.

Os 10 países com mais endereços IP#

#PaísEndereços IPv4Participação mundialRegistro
1Estados Unidos1.606.315.68043,6%ARIN
2China342.984.9609,3%APNIC
3Japão188.705.0885,1%APNIC
4Reino Unido138.719.8083,8%RIPE NCC
5Alemanha126.404.2243,4%RIPE NCC
6Coreia do Sul112.497.9203,1%APNIC
7França81.587.7922,2%RIPE NCC
8Brasil79.321.3442,2%LACNIC
9Canadá67.843.0721,8%ARIN
10Itália54.086.0161,5%RIPE NCC

Os cinco seguintes são a Holanda (47,9 milhões), a Austrália (46,1 milhões), a Rússia (45,2 milhões), a Índia (42,0 milhões) e Taiwan (35,7 milhões).

No total, 3,69 bilhões dos 4,29 bilhões de endereços IPv4 possíveis estão registrados em nome de alguém. A maior parte do restante nunca poderá ser distribuída, porque está reservada para redes privadas, multicast e outros usos especiais.

Por que outros sites mostram números diferentes#

Se você comparar rankings, vai encontrar os EUA com 1,61 bilhão em alguns sites e com cerca de 1,2 bilhão em outros. As duas coisas podem estar certas, porque cada fonte conta algo diferente. Contagens baseadas nos registros, como a nossa, mostram em qual país cada bloco está registrado. Já as bases de geolocalização estimam onde cada endereço é realmente usado, então um bloco registrado em nome de uma empresa americana, mas anunciado a partir de Frankfurt, entra nelas como alemão. Um terceiro método conta só os endereços visíveis no roteamento global. Nenhum deles está errado, mas vale conferir qual método o ranking usa antes de comparar países.

Como os endereços IP são distribuídos#

Os endereços IP descem por uma cadeia de três etapas:

  1. A IANA administra o pool global e entrega grandes blocos a cinco registros regionais.
  2. Os Registros Regionais de Internet (RIRs) repassam blocos aos seus membros: provedores de internet, empresas de hospedagem, grandes companhias e universidades.
  3. Os provedores atribuem endereços aos clientes, geralmente de forma dinâmica, e muitas vezes colocam vários usuários para compartilhar um único endereço público.
RegistroRegião
ARINEstados Unidos, Canadá, parte do Caribe
RIPE NCCEuropa, Oriente Médio, Ásia Central
APNICÁsia-Pacífico
LACNICAmérica Latina e a maior parte do Caribe
AFRINICÁfrica

Por que os EUA têm tantos#

Os endereços começaram a ser distribuídos muito antes de os registros existirem. Nos anos 1980 e no início dos anos 1990, universidades, órgãos do governo e empresas dos EUA receberam blocos “Class A” inteiros, de 16,7 milhões de endereços cada, muitas vezes bastando pedir. A maior parte desses blocos legados continua registrada até hoje, e é por isso que só os EUA têm mais endereços IPv4 do que os 20 países seguintes somados.

O IPv4 se esgotou#

A IANA entregou seus últimos blocos em fevereiro de 2011 e, desde então, os registros foram esvaziando os próprios pools até quase zero. Em 20 de outubro de 2026, o ARIN não tinha mais nenhum endereço IPv4 livre, o RIPE NCC e o LACNIC tinham, somados, alguns milhares, e só o AFRINIC (cerca de 0,59 milhão) e o APNIC (cerca de 2,9 milhões) ainda mantinham uma reserva utilizável. O APNIC raciona até isso: cada membro pode receber no máximo 512 endereços no total.

Por isso, hoje a maioria dos endereços IPv4 troca de mãos em um mercado de transferências. Em setembro de 2026, blocos pequenos eram vendidos por cerca de US$ 23 por endereço, e blocos de 65.000 endereços ou mais por cerca de US$ 14, enquanto o aluguel custava de US$ 0,35 a US$ 0,45 por endereço por mês, aproximadamente. Como espaço novo só surge de vendas entre empresas, os rankings por país mudam devagar, e o crescimento migrou para o IPv6.

O top 10, país por país#

1. Estados Unidos: 1,61 bilhão#

Os EUA detêm quase metade do espaço IPv4 do mundo, e boa parte dele está em blocos legados. Só o Departamento de Defesa tem 13 blocos /8 completos, cerca de 218 milhões de endereços. A Amazon chegou a aproximadamente 178 milhões à base de compras, e Apple, Ford, AT&T e Comcast têm, cada uma, um /8 inteiro. Muitos desses endereços são usados bem longe dos EUA, em regiões de nuvem espalhadas pelo mundo.

2. China: 343 milhões#

A China é a segunda no total, mas tem só cerca de um endereço para cada quatro pessoas. As três grandes operadoras, China Telecom, China Unicom e China Mobile, dependem muito do compartilhamento de endereços (NAT em nível de operadora, o CGNAT). Desde um plano de ação do governo de 2017, a China trata o IPv6 como política nacional, e hoje tem a segunda maior fatia do espaço IPv6.

3. Japão: 189 milhões#

O Japão recebeu alocações generosas logo no início, e seus principais provedores, NTT, KDDI e SoftBank, continuam com elas. Só a SoftBank usa cerca de 92% do bloco 126.0.0.0/8.

4. Reino Unido: 139 milhões#

O Reino Unido fica logo acima da Alemanha, em parte por causa de um único bloco legado: o Ministério da Defesa detém todo o 25.0.0.0/8, quase 17 milhões de endereços. BT, Virgin Media e Vodafone ficam com a maior parte do restante.

5. Alemanha: 126 milhões#

A Deutsche Telekom e a Vodafone têm as maiores fatias, e a Mercedes-Benz ainda é dona de um /8 inteiro. Frankfurt abriga o DE-CIX, um dos pontos de troca de tráfego mais movimentados do mundo, e isso faz da Alemanha um polo de hospedagem com peso muito maior do que o seu próprio número de endereços sugere.

6. Coreia do Sul: 112 milhões#

Com cerca de 2,2 endereços por pessoa, a Coreia do Sul é um dos países mais bem abastecidos da Ásia. Isso vem da implantação precoce de banda larga em todo o país pela KT, pela SK Broadband e pela LG Uplus.

7. França: 82 milhões#

Orange, Free, SFR e Bouygues Telecom detêm a maior parte do espaço francês. A França também lidera o mundo no uso de IPv6: em outubro de 2026, cerca de 87% dos seus usuários acessavam o Google via IPv6.

8. Brasil: 79 milhões#

O Brasil é o maior detentor da América Latina. Além de grandes operadoras como Claro e Vivo, o país tem milhares de pequenos provedores regionais, cada um com seus próprios blocos.

9. Canadá: 68 milhões#

Bell, Rogers e TELUS detêm a maior parte do espaço do Canadá, que vem do ARIN, o mesmo registro que atende os EUA.

10. Itália: 54 milhões#

A Itália fecha o top 10, com a TIM como maior detentora. O país também está entre os grandes que mais demoram a adotar o IPv6: só cerca de 18% dos usuários estão nele.

Endereços IP por habitante#

Os totais favorecem os países grandes, por isso o ranking muda completamente quando se divide pela população. Entre países e territórios com mais de 5 milhões de habitantes, o quadro é este:

#PaísIPv4 por habitante
1Singapura4,7
2Estados Unidos4,7
3Suécia3,0
4Noruega2,8
5Holanda2,7
6Suíça2,6
7Finlândia2,5
8Coreia do Sul2,2
9Hong Kong2,1
10Dinamarca2,0

O Reino Unido fica de fora por pouco, com os mesmos 2,0 depois do arredondamento. No outro extremo, a China tem 0,24 endereço por habitante, a Indonésia 0,06, a Índia 0,03 e a Nigéria 0,01.

Ao ler esses números, tenha duas coisas em mente:

  • Uma proporção alta muitas vezes indica um polo, e não uso doméstico intenso. Singapura e a Holanda hospedam datacenters e regiões de nuvem que atendem continentes inteiros. O caso extremo são as Seychelles, com cerca de 9 milhões de endereços para aproximadamente 123.000 pessoas, ou 73 por residente. A maior parte desse espaço está registrada em nome de uma única empresa e é usada em outros continentes.
  • Uma proporção baixa não significa que as pessoas estão offline. Provedores na Índia, na China e na Nigéria colocam muitos usuários atrás de um único endereço compartilhado. Além disso, cerca de 68% dos usuários na Índia acessam o Google via IPv6, então o país precisa de muito menos endereços IPv4.

Os números por habitante combinam a nossa contagem de 20 de outubro de 2026 com as estimativas populacionais de 2025 do Banco Mundial.

IPv6: quem lidera#

O IPv6 tem tantos endereços (2¹²⁸) que contá-los um a um diz pouco. Duas outras medidas importam mais: quem detém mais espaço IPv6 e quem de fato o usa.

Quem detém mais espaço IPv6#

Pela participação em todo o espaço IPv6 registrado, segundo a mesma contagem de 20 de outubro de 2026:

#PaísParticipação no espaço IPv6
1Estados Unidos29,7%
2China13,8%
3Singapura6,9%
4Alemanha4,9%
5Reino Unido4,2%

A diferença é bem menor do que no IPv4. Os EUA têm 2,2 vezes o espaço IPv6 da China, contra 4,7 vezes no IPv4.

Quem mais usa IPv6#

Em 28 de março de 2026, pela primeira vez, mais da metade dos usuários do Google (50,1%) acessou o serviço via IPv6. Essa fatia ainda oscila de um dia para o outro em torno da marca: chegou ao pico de 51,7% em 3 de outubro e estava em 48,9% em 18 de outubro.

A adoção varia muito de país para país. Veja os números do Google para 18 de outubro de 2026:

  • Líderes: França com cerca de 87%, Alemanha com cerca de 76%, Arábia Saudita com cerca de 69% e Índia com cerca de 68%.
  • Meio da tabela: Japão com cerca de 58%, Brasil com cerca de 57%, EUA com cerca de 55% e Reino Unido com cerca de 54%.
  • Retardatários: Itália com cerca de 18%, Espanha com cerca de 12% e Egito com cerca de 5%.

O número do Google para a China diz pouco, porque os serviços da empresa não estão disponíveis para a maioria dos usuários de lá. A necessidade explica boa parte do padrão: países com poucos endereços IPv4 por habitante, como a Índia, ou com redes móveis mais novas adotaram o IPv6 mais rápido. França e Alemanha mostram que a política nacional e os grandes provedores também conseguem puxar essa adoção.

Quem tem mais endereços IP#

Os totais por país escondem o quanto a posse é concentrada. Na maioria dos países, um punhado de grandes provedores detém a maior parte do espaço, e algumas poucas organizações no mundo têm mais endereços do que países inteiros.

Segundo os registros, estas organizações detêm pelo menos um bloco /8 completo (16,8 milhões de endereços cada):

DetentorBlocos /8 completosEndereços (aprox.)
Departamento de Defesa dos EUA13218 milhões
Amazon1 (3.0.0.0/8), além de muitos blocos menores178 milhões no total
AT&T1 (12.0.0.0/8)16,8 milhões
Apple1 (17.0.0.0/8)16,8 milhões
Ford Motor Company1 (19.0.0.0/8)16,8 milhões
Ministério da Defesa do Reino Unido1 (25.0.0.0/8)16,8 milhões
Cogent Communications1 (38.0.0.0/8)16,8 milhões
Mercedes-Benz Group1 (53.0.0.0/8)16,8 milhões
Comcast1 (73.0.0.0/8)16,8 milhões

Para ter uma ideia da escala, o Departamento de Defesa dos EUA tem mais endereços IPv4 do que o Japão inteiro, e só a Amazon tem mais do que o Reino Unido ou a Alemanha. A Amazon chegou lá principalmente comprando: seu /8 veio da General Electric, e em 2019 ela comprou parte do bloco 44.0.0.0/8 de uma organização de radioamadores. Como empresas de nuvem e hospedagem continuam comprando blocos, uma parte cada vez maior do espaço IPv4 do mundo vai parar em datacenters, e não nas mãos de provedores de internet residencial.

Por que isso importa para proxies#

O mapa de endereços define quanto os proxies custam e o quão bem eles funcionam em cada país.

  • Mais endereços significam mais opções. Países com pools grandes e variados, como EUA, Alemanha, Reino Unido e Holanda, oferecem muitos provedores e muitas sub-redes distintas. Os proxies ali são mais baratos e mais difíceis de os sites recusarem em bloco, enquanto nos países com poucos endereços por habitante os pools de proxies são pequenos e mais caros.
  • Endereços compartilhados dividem a mesma reputação. Quando um provedor coloca centenas de clientes atrás de um único endereço, o comportamento de um só vizinho pode trazer CAPTCHAs ou banimentos para todo mundo que usa esse IP. Esse é o principal motivo pelo qual endereços dedicados fazem diferença no trabalho com contas.
  • O país do registro nem sempre é a localização que os sites veem. Os registros mostram onde o titular está registrado, e não onde os endereços são usados, então um bloco registrado em nome de uma empresa americana pode atender usuários em Frankfurt ou em Singapura. Os sites se baseiam em bases de geolocalização, que às vezes ficam desatualizadas, por isso confira o IP de um proxy em dois ou três serviços de consulta antes de confiar no país indicado. Nosso guia sobre os melhores países para hospedar servidores proxy explica como essa localização afeta a velocidade e a legislação aplicável.
  • A escassez define o preço mínimo. Com o IPv4 custando de US$ 14 a US$ 23 por endereço na compra, ou de US$ 0,35 a US$ 0,45 por endereço por mês no aluguel, todo proxy IPv4 carrega um custo real. Proxies IPv6 são muito mais baratos, mas muitos sites ainda não suportam IPv6 ou tratam faixas IPv6 inteiras com desconfiança.

Rodamos nossos proxies em faixas IPv4 próprias, e não em espaço alugado ou revendido, e você pode ver quais países estão disponíveis na nossa página de localizações de proxy.

Qual país tem mais endereços IP?

Os Estados Unidos, com cerca de 1,61 bilhão de endereços IPv4, ou 44% de todo o espaço IPv4 registrado.

Quantos endereços IPv4 existem?

O IPv4 tem 4.294.967.296 endereços possíveis. Cerca de 3,69 bilhões estão registrados em nome de organizações, e a maior parte do restante é reservada para redes privadas, multicast e outros usos especiais.

A China tem mais endereços IP que os EUA?

Não. A China tem cerca de 343 milhões de endereços IPv4, mais ou menos um quinto do total dos EUA, e menos da metade da fatia americana do espaço IPv6.

Por que os EUA têm tantos endereços IP?

Organizações americanas receberam blocos enormes nos anos 1980 e no início dos anos 1990, antes de existirem os registros regionais e o racionamento de endereços, e a maioria delas ainda mantém esses blocos.

Quem distribui os endereços IP?

A IANA aloca blocos para cinco registros regionais: ARIN, RIPE NCC, APNIC, LACNIC e AFRINIC. Eles repassam os endereços aos provedores, que os atribuem aos clientes.

O IPv4 acabou?

Quase em todo lugar. O pool da IANA se esgotou em 2011, o ARIN não tem mais nenhum endereço, e só o AFRINIC e o APNIC mantêm pequenas reservas racionadas. Endereços novos são comprados ou alugados de quem já os detém.

Cada dispositivo tem o próprio endereço IP?

Não. A maioria das casas, escritórios e redes móveis compartilha um único endereço IPv4 público entre muitos dispositivos.

Um endereço IP mostra minha localização exata?

Não. Ele aponta para o provedor e, em geral, para o país ou a região. Palpites no nível da cidade costumam errar, e um endereço IP sozinho nunca revela o endereço de uma casa ou rua.