Os melhores países para programadores viverem e trabalharem em 2026
Onde desenvolvedores ganham e vivem melhor em 2026: salário líquido, vistos de trabalho e pisos salariais em 10 países, além de vistos para trabalho remoto.
Se o que importa é só o salário, os Estados Unidos e a Suíça continuam muito à frente, mas entrar em qualquer um dos dois é difícil. Para quem busca o melhor equilíbrio entre salário, acesso ao visto e um caminho real para ficar, Alemanha e Holanda são as escolhas mais fortes para um desenvolvedor de fora da UE em 2026, com o Reino Unido e a Austrália logo atrás. Se você trabalha remotamente para uma empresa estrangeira, Portugal e Espanha têm vistos próprios para isso, e os Emirados Árabes Unidos não cobram imposto nenhum sobre salários.
O problema é que se mudar em 2026 está mais difícil do que os rankings antigos dão a entender. O Canadá não dá mais aos desenvolvedores de software uma categoria prioritária no Express Entry, o Reino Unido aumentou os pisos salariais e, no mundo todo, as empresas patrocinam menos contratações júnior vindas do exterior. A seguir você encontra os pisos de visto de cada país em 2026, quanto do salário você realmente leva para casa e o lado prático da mudança que a maioria dos guias ignora: bancos, login com verificação em duas etapas e trabalho remoto a partir de outro país.
Os 10 melhores países para programadores em 2026#
| # | País | Salário típico de desenvolvedor (bruto, USD) | Principal via de entrada | Ideal para |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Estados Unidos | US$ 133.000 | H-1B, O-1, L-1 | Os maiores salários e as big techs |
| 2 | Suíça | US$ 103.000 | Autorização de trabalho por cota | Salário alto com impostos baixos |
| 3 | Alemanha | US$ 52.000 | Cartão Azul UE | A entrada mais fácil na UE para TI, mesmo sem diploma |
| 4 | Holanda | US$ 55.000 | Migrante altamente qualificado | Vagas em inglês e um benefício fiscal |
| 5 | Reino Unido | US$ 55.000 | Skilled Worker | O mercado de tecnologia e fintech de Londres |
| 6 | Austrália | US$ 56.000 | Visto Skills in Demand | Qualidade de vida e um caminho claro para se estabelecer |
| 7 | Canadá | US$ 62.000 | Autorização de trabalho e depois Express Entry | Ficar de vez depois de ganhar experiência canadense |
| 8 | Singapura | US$ 42.000 | Employment Pass | Polo asiático com impostos baixos |
| 9 | Emirados Árabes Unidos | Varia; sem imposto de renda | Visto de trabalho ou Golden Visa | Ficar com uma parte maior do salário |
| 10 | Portugal | US$ 29.000 | Visto de nômade digital D8 | Desenvolvedores remotos com salário do exterior |
Os salários vêm dos dados de 2026 da CodeSubmit por país e são valores antes dos impostos. Cargos sênior e ofertas em cidades grandes pagam bem acima disso, então leia a coluna como uma comparação entre países, e não como a oferta que você vai receber. Os Emirados não aparecem nesses dados, e as ofertas por lá variam demais para que um único número seja útil.
Como montamos o ranking#
Não existe um único melhor país, porque a resposta depende do seu passaporte, da sua família e do momento da sua carreira. Por isso pesamos seis fatores que um desenvolvedor sente na pele depois da mudança:
- Salário depois dos impostos. O salário bruto sozinho diz pouco, como mostra o parágrafo seguinte.
- Facilidade do visto. Aqui entram pisos salariais, sorteios, cotas e a exigência ou não de diploma.
- Tamanho do mercado de trabalho. O que conta é quantas empresas de tecnologia contratam estrangeiros e patrocinam vistos.
- Trabalhar em inglês. Dá para fazer seu trabalho e resolver o dia a dia sem falar a língua local?
- Um caminho para ficar. Quanto tempo leva até a residência permanente, se é que ela existe.
- Custo e qualidade de vida. Aluguel, segurança e até onde o salário rende nas principais cidades de tecnologia.
Os impostos mudam o quadro mais do que a maioria dos rankings admite. Segundo os dados Taxing Wages 2026 da OCDE, um trabalhador solteiro com salário médio fica com cerca de 61% do bruto na Alemanha, 72% na Holanda, algo em torno de 76–77% nos EUA, no Reino Unido e na Austrália, e 82% na Suíça. O seguro-saúde suíço não entra nessa conta, então a diferença real é um pouco menor. Singapura cobra menos de 6% de imposto sobre uma renda de S$ 100.000, e estrangeiros não contribuem para o fundo de previdência do país, enquanto os Emirados simplesmente não tributam salários.
As regras de visto e os pisos salariais abaixo são os valores de 2026 publicados pelas autoridades de imigração de cada país. A maioria muda todo ano, então confira a página oficial antes de fazer o pedido.
Os 10 países, um por um#
1. Estados Unidos#
Os EUA pagam desenvolvedores melhor do que qualquer outro lugar, e os maiores salários estão na região da Baía de São Francisco, em Seattle, Nova York e Austin. A parte difícil é entrar. Desde março de 2026, o sorteio do H-1B dá mais chances às ofertas com salário mais alto, então hoje uma vaga sênior tem probabilidade bem maior do que uma de nível inicial.
Há também a taxa de US$ 100.000 sobre novas petições de H-1B para trabalhadores que estão fora dos EUA. Ela foi criada em setembro de 2025 e prorrogada até setembro de 2027, mas desde então tribunais federais em Massachusetts e na Califórnia suspenderam a cobrança, e o governo está recorrendo. Se você receber uma oferta dos EUA, pergunte aos advogados da empresa em que pé isso está. O visto O-1, para pessoas com conquistas reconhecidas, e o L-1, para funcionários transferidos depois de um ano em um escritório da empresa no exterior, não passam pelo sorteio.
- Prós: os maiores salários, o maior mercado de tecnologia e nenhum imposto de renda estadual no Texas, na Flórida e em vários outros estados.
- Contras: o visto mais difícil desta lista, saúde cara e uma longa espera pelo green card.
2. Suíça#
A Suíça é o país que melhor paga na Europa, e ainda tributa pouco esse salário. Zurique e Genebra concentram grandes escritórios de tecnologia e bancos, e Zug é um polo de cripto. Para quem não é cidadão da UE, porém, as autorizações têm limite. A cota de 2026 é de 8.500 (4.500 autorizações B e 4.000 autorizações L de curta duração), e a empresa precisa mostrar que não conseguiu preencher a vaga com alguém da Suíça ou da UE.
- Prós: salário líquido muito alto, estabilidade e serviços públicos excelentes.
- Contras: um dos lugares mais caros para viver, e a entrada de quem vem de fora da UE depende da cota. A residência permanente costuma levar 10 anos, ou 5 para algumas nacionalidades, entre elas cidadãos dos EUA e do Canadá.
3. Alemanha#
A Alemanha é o grande mercado da UE mais acessível para desenvolvedores. O Cartão Azul UE exige um salário de € 50.700 em 2026, ou € 45.934,20 para TI e outras profissões com falta de mão de obra. Especialistas de TI podem se qualificar sem diploma se tiverem pelo menos três anos de experiência relevante nos últimos sete, desde que a Agência Federal de Emprego (Bundesagentur für Arbeit) aprove a vaga.
O caminho para se estabelecer é rápido. Quem tem o Cartão Azul pode obter a residência permanente depois de 27 meses, ou 21 meses com alemão B1, desde que tenha contribuído para a previdência durante todo o período. O lado ruim aparece no contracheque: um desenvolvedor com oferta de € 62.000 em Berlim leva para casa cerca de € 3.200 por mês, e com esse orçamento os apartamentos no centro são, na maioria, pequenos estúdios mobiliados.
- Prós: entrada fácil para TI, um caminho rápido para a residência e a cena de startups de Berlim, onde se trabalha em inglês.
- Contras: impostos e contribuições sociais altos, e uma burocracia quase toda em alemão. Muitos anúncios de vaga escritos em inglês ainda pedem alemão.
4. Holanda#
Em Amsterdã, Eindhoven e Roterdã, boa parte do trabalho acontece em inglês. Uma empresa reconhecida pode contratar você como migrante altamente qualificado (kennismigrant) a partir de € 5.942 por mês (30 anos ou mais) ou € 4.357 (menos de 30) em 2026, e recém-formados se qualificam a partir de € 3.122.
O 30% ruling permite que recém-chegados elegíveis recebam até 30% do salário livre de impostos por até cinco anos. A partir de 2027, essa fatia cai para 27% para quem recebeu o benefício pela primeira vez em 2024 ou depois. O verdadeiro gargalo é a moradia. Você precisa de um endereço para se registrar e obter o número de cidadão (BSN), e bancos e empregadores pedem esse número, por isso muitos recém-chegados passam as primeiras semanas em aluguéis de curta duração.
- Prós: autorizações rápidas, inglês no trabalho e um benefício fiscal que faz diferença.
- Contras: uma falta séria de moradia, e impostos altos quando o benefício acaba.
5. Reino Unido#
Londres é o maior mercado da Europa para startups de fintech e IA. O visto Skilled Worker exige uma empresa patrocinadora e um salário de pelo menos £ 41.700 ou o going rate, que é o valor de referência da função, o que for maior. Para programadores e desenvolvedores de software, o going rate é de £ 54.700, ou £ 38.300 para quem está começando, como recém-formados.
Os custos pesam dos dois lados. A empresa paga uma Immigration Skills Charge de £ 1.320 por ano, e você paga uma taxa de saúde de £ 1.035 por ano para cada membro da família. A residência permanente continua vindo depois de cinco anos. O governo propôs aumentar esse prazo para dez, mas até outubro de 2026 não havia decidido, e a única mudança confirmada é a exigência de inglês B2 nos pedidos de residência a partir de março de 2027.
- Prós: tudo em inglês, um mercado de tecnologia grande e maduro e milhares de patrocinadores licenciados.
- Contras: custos altos de visto, os aluguéis de Londres e a incerteza sobre as regras de residência.
6. Austrália#
O visto Skills in Demand substituiu o antigo visto TSS em dezembro de 2024. A partir de 1º de julho de 2026, ele exige um salário de pelo menos AUD 79.423, ou AUD 146.576 na via para especialistas, que é mais rápida. Depois de dois anos de trabalho patrocinado dentro dos últimos três, normalmente você pode pedir a residência permanente por meio do empregador, e esses dois anos não precisam ser todos na mesma empresa.
- Prós: qualidade de vida, um caminho claro para se estabelecer e forte demanda em Sydney e Melbourne.
- Contras: fica longe da Europa e dos EUA, e a moradia é cara.
7. Canadá#
O Express Entry ainda concede a residência permanente diretamente, sem um visto temporário antes. É por isso que o Canadá lidera muitas listas antigas. Em 2026, porém, desenvolvedores de software e programadores não fazem parte da categoria prioritária de STEM, e não há uma rodada de convites para STEM desde abril de 2024. A maioria dos convites agora vai para pessoas que já trabalham no Canadá ou que se encaixam em outras categorias prioritárias.
Na prática, um desenvolvedor que está no exterior normalmente precisa primeiro de uma oferta de emprego e de uma autorização de trabalho, e depois de um ano de experiência canadense para se qualificar à residência permanente pela Canadian Experience Class. É mais lento do que antes, mas, depois que você entra, esse continua sendo um dos caminhos mais previsíveis desta lista.
- Prós: residência permanente sem vínculo com o empregador depois que você se qualifica, cidades multiculturais e um caminho para a cidadania.
- Contras: salários menores que os dos EUA, moradia cara em Toronto e Vancouver e um começo lento para quem se candidata do exterior.
8. Singapura#
Singapura é o polo de tecnologia e finanças da Ásia, com o inglês como língua de trabalho e alíquota máxima de imposto de renda de 24%. Hoje o Employment Pass começa em S$ 5.600 por mês para candidatos mais jovens e sobe com a idade até S$ 10.700. Para novos pedidos a partir de 1º de janeiro de 2027, esses valores passam para S$ 6.000 e S$ 11.500. A maioria dos candidatos também precisa somar 40 pontos no sistema COMPASS, a menos que ganhe pelo menos S$ 22.500 por mês.
- Prós: impostos baixos, segurança e uma porta de entrada para os mercados asiáticos.
- Contras: aluguel altíssimo, e a residência permanente é concedida caso a caso, sem um critério mínimo publicado.
9. Emirados Árabes Unidos#
Dubai e Abu Dhabi não têm imposto de renda de pessoa física, o que deixa o salário líquido excepcionalmente alto. Profissionais qualificados podem obter um Golden Visa de 10 anos que dispensa patrocinador, desde que ganhem pelo menos AED 30.000 por mês com contrato de trabalho nos Emirados, tenham diploma de graduação e atuem em uma ocupação de nível especialista. Quem trabalha remotamente para uma empresa no exterior pode pedir um visto de trabalho virtual de um ano com salário de pelo menos US$ 3.500 por mês.
- Prós: salário livre de impostos, um setor de tecnologia e IA que cresce rápido e um fuso horário entre a Europa e a Ásia.
- Contras: o calor do verão e os aluguéis altos em Dubai. A cidadania está praticamente fora de alcance para a maioria dos expatriados, porque a naturalização é discricionária e exige até 30 anos de residência.
10. Portugal#
Os salários locais são baixos, então Portugal funciona melhor se você recebe do exterior. O visto de nômade digital D8 exige € 3.680 por mês de renda remota em 2026, e Lisboa e Porto têm grandes comunidades internacionais de desenvolvedores. O regime fiscal IFICI oferece uma alíquota fixa de 20% por 10 anos, mas é voltado a funções específicas, como pesquisa, startups certificadas e empresas exportadoras em Portugal, então trabalho remoto para um empregador estrangeiro em geral não se qualifica.
- Prós: custo de vida mais baixo que na maior parte da Europa Ocidental, o clima e residência permanente depois de cinco anos com português básico, o que para brasileiros não é obstáculo.
- Contras: salários locais baixos e burocracia lenta. A cidadania agora leva 10 anos para pedidos feitos a partir de maio de 2026, ou 7 para cidadãos da UE.
Vistos de trabalho comparados#
Muitas vezes é o piso salarial que decide se uma oferta é viável. Aqui estão os números de 2026 para desenvolvedores de fora da UE, lado a lado. Cidadãos da UE e da EFTA não precisam de autorização de trabalho em nenhum país da UE, nem na Noruega, Islândia, Liechtenstein ou Suíça, embora a Suíça ainda emita para eles uma autorização de residência e Liechtenstein limite o número que concede.
| País | Via principal | Piso salarial (2026) | Exige diploma? | Residência permanente |
|---|---|---|---|---|
| Estados Unidos | Sorteio ponderado do H-1B | Salário vigente para a função (prevailing wage) | Normalmente | Green card, muitas vezes após anos de espera |
| Suíça | Autorização de trabalho por cota | Sem valor fixo; precisa acompanhar os salários locais | Normalmente | Normalmente após 10 anos, 5 para algumas nacionalidades |
| Alemanha | Cartão Azul UE | € 50.700, ou € 45.934,20 para TI | Não, para TI com 3+ anos de experiência | Após 21–27 meses |
| Holanda | Migrante altamente qualificado | € 5.942/mês (30+), € 4.357/mês (menos de 30) | Não | Após 5 anos |
| Reino Unido | Skilled Worker | £ 41.700 ou o going rate; £ 54.700 para programadores | Não, mas a vaga precisa ser de nível superior | Após 5 anos (10 propostos) |
| Austrália | Skills in Demand | AUD 79.423 | Avaliação de qualificações | Após 2 anos de trabalho patrocinado |
| Canadá | Autorização de trabalho e depois Express Entry | Nenhum; sistema de pontos | Não, mas soma pontos | Concedida já na chegada pelo Express Entry |
| Singapura | Employment Pass | S$ 5.600/mês (S$ 6.000 a partir de 2027), mais 40 pontos no COMPASS | Não estritamente; soma pontos | Caso a caso |
| Emirados | Visto de trabalho ou Golden Visa | Golden Visa: AED 30.000/mês | Sim, para o Golden Visa | Não; visto de 10 anos renovável |
| Portugal | Visto de nômade digital D8 | € 3.680/mês de renda remota | Não | Após 5 anos |
Se você está no início da carreira, Alemanha e Holanda costumam ser as opções mais realistas, porque os pisos desses países estão ao alcance de um salário de nível pleno. Se você já ganha bem, Suíça, Emirados e Singapura deixam você ficar com a maior parte do que ganha.
Como encontrar uma empresa que patrocina visto#
Nos fóruns de desenvolvedores de 2026, a história é a mesma de Amsterdã a Berlim: empresas que antes contratavam desenvolvedores estrangeiros todo mês agora contratam alguns por ano, e um júnior que se candidata de fora da UE tem as menores chances. Engenheiros sênior com habilidades em alta ainda recebem ofertas, mas a busca demora mais. Por isso vale a pena mirar em empresas que já estão preparadas para patrocinar visto.
- Use os registros oficiais de patrocinadores. O Reino Unido publica o registro de patrocinadores licenciados, e o serviço de imigração holandês publica a lista de patrocinadores reconhecidos. Só empresas dessas listas podem contratar você com visto Skilled Worker ou como migrante altamente qualificado, então filtre suas candidaturas por elas primeiro.
- Leia os requisitos de idioma. A Alemanha não exige licença de patrocinador, mas muitos anúncios em inglês ainda pedem alemão. Verificar isso antes de se candidatar economiza semanas.
- Mude de país dentro de uma multinacional. Entrar numa empresa global no seu país e pedir transferência depois de um ano costuma ser mais fácil do que se candidatar no exterior do zero, e o visto americano L-1 existe exatamente para isso.
- Planeje o Canadá em duas etapas. Consiga primeiro uma oferta de emprego e a autorização de trabalho, e só depois peça a residência permanente, quando tiver um ano de experiência canadense.
Mudar de país como desenvolvedor remoto#
Se você mantém o emprego e só troca de endereço, não precisa de um empregador local. O que você precisa é de um visto que permita trabalho remoto.
| Visto | Renda exigida (2026) | Impostos |
|---|---|---|
| Portugal D8 | € 3.680/mês | Você vira residente fiscal após 183 dias, e a alíquota de 20% do IFICI em geral não cobre trabalho para empregador estrangeiro |
| Visto de nômade digital da Espanha | € 2.849/mês, mais € 1.068 para o cônjuge ou parceiro e € 356 para cada outro dependente | A “lei Beckham” tributa seu salário a uma alíquota fixa de 24% até € 600.000, no ano em que você chega e nos cinco seguintes |
O regime espanhol é o mais generoso dos dois, porque trata toda a sua renda do trabalho como espanhola e a tributa a 24%, mesmo que o empregador esteja no exterior. Você só pode usá-lo se não foi residente fiscal na Espanha nos cinco anos anteriores, e precisa fazer o pedido em até seis meses depois de começar a trabalhar lá. Croácia (€ 3.622,50 por mês), Grécia (€ 3.500 por mês líquidos) e Estônia têm programas parecidos, e o visto de trabalho virtual dos Emirados exige US$ 3.500 por mês.
Quem trabalha remotamente e se muda sem avisar o RH costuma aprender três coisas do jeito mais difícil:
- Os impostos vão junto com você. Na maioria dos países, passar mais de 183 dias por ano no território faz de você residente fiscal, mesmo que o empregador e o banco estejam em outro lugar.
- O empregador precisa concordar. Trabalhar de outro país pode criar obrigações fiscais e trabalhistas para a empresa. Muitas empresas proíbem isso sem aprovação ou fazem a contratação por meio de um serviço de employer of record (EOR).
- Os sistemas de segurança percebem. Os sistemas de login corporativos sinalizam acessos de países novos e também sinalizam endereços IP de datacenter usados por VPNs. Nos fóruns, são comuns as histórias de desenvolvedores demitidos depois de um login do país errado, por isso avise sua equipe de TI antes de se mudar, e não depois que sua conta for travada.
Sua vida digital depois da mudança#
O visto é a papelada para a qual todo mundo se prepara. O que costuma dar problema na primeira semana é o lado digital, então aqui está o que resolver, mais ou menos na ordem em que as dores de cabeça aparecem:
- Tire a verificação em duas etapas do SMS antes de trocar de chip. Passe bancos, e-mail e GitHub para um app autenticador ou para passkeys, e mantenha seu número antigo ativo em um eSIM para os códigos que não dá para migrar. Muitos bancos recusam números baseados na internet, como o Google Voice, então não conte com a portabilidade do seu número para um serviço desses.
- Espere que alguns serviços do seu país questionem logins do exterior. Bancos, portais de impostos e alguns sites do governo pedem verificação extra ou recusam logins de endereços IP estrangeiros. Uma VPN com servidor no seu país de origem permite acessar suas próprias contas normalmente, e a FineVPN tem servidores em vários países e um teste grátis de 14 dias.
- Não tenha pressa para trocar o país da loja de apps. Apple e Google vinculam a região da loja ao seu cartão de pagamento, e a troca pode cancelar assinaturas e esconder apps que você comprou.
- Suas assinaturas vão mudar. Os catálogos de streaming seguem a sua localização, então uma assinatura de esportes ou filmes do seu país pode mostrar um catálogo menor no exterior. Nosso guia para assistir ao DAZN no exterior mostra como isso funciona na prática.
- Veja quais ferramentas de desenvolvimento funcionam em cada lugar. Alguns serviços de nuvem, plataformas de pagamento e APIs de IA não estão disponíveis em determinadas regiões, e o país da conta muitas vezes fica fixo no cadastro.
- Teste seu produto a partir dos países dos seus usuários. Depois da mudança, você vai ver resultados de busca, preços e anúncios estrangeiros. Proxies nos seus países-alvo permitem verificar a localização, o geotargeting e o SEO do jeito que seus usuários veem, e nossas localizações de proxy cobrem os principais mercados.
- Verifique a internet antes de assinar o contrato de aluguel. Pergunte se o prédio tem fibra e mantenha um eSIM de dados móveis como reserva para chamadas e deploys.
Qual país paga mais aos programadores?
Os Estados Unidos, seguidos pela Suíça. Depois dos impostos, a ordem muda: com salário médio, um trabalhador suíço fica com cerca de 82% do bruto, contra 61% na Alemanha, e Singapura e os Emirados Árabes Unidos tributam pouco ou nada os salários.
Qual é o país mais fácil para um desenvolvedor se mudar?
Para desenvolvedores de fora da UE, Alemanha e Holanda costumam ser os caminhos mais diretos. O Cartão Azul UE da Alemanha tem um piso menor para TI e não exige diploma de especialistas de TI experientes, e a autorização holandesa para migrante altamente qualificado só pede um empregador reconhecido e um salário acima do piso.
Dá para se mudar para o exterior como programador sem diploma?
Sim. A Alemanha aceita especialistas de TI sem diploma se tiverem pelo menos três anos de experiência relevante nos últimos sete. A Holanda também não exige diploma, e o Reino Unido exige que a vaga seja de nível superior, e não que a pessoa tenha diploma.
O Canadá ainda é uma boa escolha para desenvolvedores de software?
Ainda é um bom lugar para se estabelecer, mas ficou mais difícil chegar lá a partir do exterior. Em 2026, desenvolvedores de software não fazem parte da categoria prioritária de STEM do Express Entry, e não há rodada de convites para STEM desde abril de 2024, então a maioria dos desenvolvedores agora consegue primeiro uma autorização de trabalho e pede a residência permanente depois de um ano de experiência canadense.
Qual país é melhor para desenvolvedores remotos?
Portugal e Espanha têm vistos específicos para nômades digitais, com exigência de renda de € 3.680 e € 2.849 por mês em 2026. A lei Beckham da Espanha também pode tributar seu salário a uma alíquota fixa de 24%. Os Emirados Árabes Unidos servem para quem trabalha remotamente e não quer pagar imposto de renda, e o visto de trabalho virtual de lá exige US$ 3.500 por mês.
Preciso falar a língua local?
Para o trabalho, na maioria dos polos de tecnologia desta lista, não. Para o dia a dia e a burocracia, ela ajuda muito na Alemanha, na Suíça e em Portugal. Na Alemanha, o alemão B1 encurta a espera pela residência permanente, e muitos anúncios de vaga alemães escritos em inglês ainda pedem alemão.
Qual país tem os impostos mais baixos para desenvolvedores?
Os Emirados Árabes Unidos não têm imposto de renda de pessoa física. A alíquota máxima de Singapura é de 24%, mas uma renda de S$ 100.000 paga menos de 6% de imposto, e a Suíça fica com cerca de 18% de um salário médio entre imposto de renda e contribuições sociais.
Posso continuar trabalhando para meu empregador atual depois da mudança?
Só com a aprovação dele e com um visto que permita trabalho remoto. Trabalhar de outro país pode tornar você residente fiscal ali e criar obrigações para o empregador, e os sistemas de segurança corporativos costumam sinalizar logins de um país novo.